Pré-candidata

Quem é Simone Tebet? Saiba mais sobre a aposta da "terceira via" que desbancou Doria

Senadora ruralista do MDB deve ser confirmada como candidata nesta terça

Poucos minutos após o pronunciamento de João Doria (PSDB) anunciando a desistência da corrida presidencial, jornalistas de todo o país receberam em seus telefones uma mensagem via WhatsApp: "Vamos unir o país e tratar de sua reconstrução moral, institucional e política". O texto era assinado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), pré-candidata à presidência e provável aposta da chamada "terceira via" para as eleições de outubro.

"Doria nunca foi adversário. Sempre foi aliado. Sua contribuição com a luta pela vacina jamais será esquecida. Vamos conversar e receber suas sugestões para nosso programa de governo", prossegue a nota da senadora. "O Brasil é maior do que qualquer projeto individual. Vamos trabalhar para unir todo o centro democrático", complementa.

Nesta terça (24), líderes do MDB, do PSDB e do Cidadania se reunirão para definir a provável candidatura única para a presidência, em chapa encabeçada por Tebet. A pré-candidata tenta angariar a simpatia de Doria, insatisfeito com o processo de fritura que sofreu dentro do PSDB depois de vencer as prévias realizadas em novembro de 2021.

Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) consolidados há meses como primeiro e segundo colocados nas pesquisas de intenções de votos, partidos como PSDB, MDB e o recém-fundado União Brasil (fruto da junção entre Democratas e PSL) tentam emplacar um nome que consiga chamar atenção de uma fatia do eleitorado que supostamente não quer nenhuma das duas opções. Já foram testados os nomes de Sergio Moro (União), Doria, Eduardo Leite (PSDB) e até mesmo do apresentador televisivo Luciano Huck. Tebet é a bola da vez.

Carreira política

Nascida na cidade sulmatogrossense de Três Lagoas, ela é filha do ex-senador Ramez Tebet, que morreu em 2006. Professora universitária e advogada, entrou para a vida pública em 2002, quando foi eleita Deputada Estadual pelo então PMDB. Dois anos mais tarde, foi a primeira mulher eleita prefeita da cidade natal. Reeleita em 2008, deixou o cargo em 2010, quando foi eleita vice-governadora na chapa de André Puccinelli.

Tebet está no senado desde 2014. Se orgulha de ter liderado a primeira bancada feminina da história. Foi presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher e também a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Em 2021 foi a primeira mulher a concorrer à presidência do Senado, mas foi derrotada por Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ainda no ano passado começou os movimentos para anunciar a pré-candidatura à presidência.

A senadora foi uma das vozes mais marcantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid, em 2021. Em entrevista a este Brasil de Fato defendeu o indiciamento de militares e integrantes do "centrão" acusados de participação em supostos esquemas de corrupção. Também se posicionou de forma contundente sobre o pouco espaço para participação feminina em comissões no congresso.

"As pessoas ainda se recusam a acreditar que a mulher sofre misoginia, que a mulher que ousa sair para o mercado de trabalho, vai para um ambiente público, não só na política mas no dia a dia, ela recebe toda sorte de discriminação", disse, citando episódios de constrangimento sofridos por ela própria ou por outras senadoras.

Fortemente ligada ao agronegócio, Tebet tenta agora se desvincular das origens para angariar a simpatia de eleitores ligados às pautas ambientais, especialmente após os seguidos recordes de desmatamento registrado durante o governo Bolsonaro. “O agronegócio tem que entender que a floresta em pé é que vai garantir a produção. E o brasileiro tem de entender que é a floresta em pé que vai garantir o pão nosso de cada dia na mesa”, disse recentemente em atividade de pré-campanha no Pará.

“Eu venho do agronegócio, do Centro-Oeste do Brasil, onde estados como o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul já estão sofrendo com a falta de chuvas, que é resultado do desmatamento. A consequência desse tipo de problema é que a comida chega mais cara à mesa do brasileiro, a inflação sobe e a fome, que já existe e é gravíssima, só piora”, completou a senadora, segundo registro do próprio site dela.

Edição: Rodrigo Durão Coelho